Jardim da Serenidade

Espaço dedicado ao pôr-em-vida aqueles versos tortos que insistem em ser escritos. Procuremos a serenidade, vi ela passar por aqui há pouco. Procuremos, a serenidade deve estar em algum lugar!

Nome:
Local: Santa Maria, RS, Brazil

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

TEMPORAL

E se eu quiser viver?

E a dualidade da caída da tarde?

Cores misturadas, às vezes,

São cores misturadas.

E se eu não beber até morrer?

Se eu não duvidar do Paulo Coelho? Quem não duvida nem sempre crê.

Se eu não quiser uma noite com a Carla Perez ou com a Feiticeira?

Se eu achasse que o João Gordo hoje se parece com Lazier Martins?

E se...se nada disso...

Mas, se eu não quiser ter nome ou rótulo,

Se eu não quiser ser outro?

Sempre serei o louco.

O que dizer do que já foi dito?

Pra quê falar do que não se fala?

De toda a enumeração do existencialismo carcomido?

Do marxismo até agora derrotado.

Do militarismo absurdo.

Do capitalismo pernicioso.

Da raiva abundante.

Da beleza roubada.

Da religião fanática.

Da tecnocracia oculta.

Da tragicomédia-mitológica da humanidade moderna.

Do caos informativo.

Da profusão de signos.

Das mentiras verdadeiras.

Das línguas mortas.

E daquelas que nem nasceram.

Não!

E do universo?

Dos paralelos temporais.

Dos tempos negativos.

Das temperaturas absolutas.

Dos universos simultâneos.

De vários universos,

De milhares de universos.

Versos, anversos, reversos.

E dos jogos de linguagem,

Talvez o mais infame deles?

E da intradutibilidade...

E o que se sabe disso?

E o que se sabe do que se sabe?

E o que esperar de um ego obliterado?

Preferível seria falar de amor...

Mauricio de Azevedo