TEMPORAL
E se eu quiser viver?
E a dualidade da caída da tarde?
Cores misturadas, às vezes,
São cores misturadas.
E se eu não beber até morrer?
Se eu não duvidar do Paulo Coelho? Quem não duvida nem sempre crê.
Se eu não quiser uma noite com a Carla Perez ou com a Feiticeira?
Se eu achasse que o João Gordo hoje se parece com Lazier Martins?
E se...se nada disso...
Mas, se eu não quiser ter nome ou rótulo,
Se eu não quiser ser outro?
Sempre serei o louco.
O que dizer do que já foi dito?
Pra quê falar do que não se fala?
De toda a enumeração do existencialismo carcomido?
Do marxismo até agora derrotado.
Do militarismo absurdo.
Do capitalismo pernicioso.
Da raiva abundante.
Da beleza roubada.
Da religião fanática.
Da tecnocracia oculta.
Da tragicomédia-mitológica da humanidade moderna.
Do caos informativo.
Da profusão de signos.
Das mentiras verdadeiras.
Das línguas mortas.
E daquelas que nem nasceram.
Não!
E do universo?
Dos paralelos temporais.
Dos tempos negativos.
Das temperaturas absolutas.
Dos universos simultâneos.
De vários universos,
De milhares de universos.
Versos, anversos, reversos.
E dos jogos de linguagem,
Talvez o mais infame deles?
E da intradutibilidade...
E o que se sabe disso?
E o que se sabe do que se sabe?
E o que esperar de um ego obliterado?
Preferível seria falar de amor...
Mauricio de Azevedo

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home