O FAZER-SE POEMA
Queria fazer um poema todo,
Um poema uno, que a todos falasse e a todos dissesse,
Aquilo que cada um dos todos quisesse que fosse dito.
Um poema gigantesco, que falasse da vida e da morte, de cada um e de todos.
Um poema universo, que pusesse as esferas a girar,
Que permeasse, que fluidificasse os sentidos e as fronteiras.
Um poema completo e tão atual que fosse sempre sendo escrito, e que por isso fosse sempre aberto, sempre agora, constantemente aqui, vivo, como o fogo que jorra da boca infernal de um dragão dilacerado.
Um poema vivo, nunca acabado.
Um poema insensato incessante.
Um poema vivo, um poema deveras, não definito.
Um poema impossível.
Mauricio de Azevedo
Primavera de 2005

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