Jardim da Serenidade

Espaço dedicado ao pôr-em-vida aqueles versos tortos que insistem em ser escritos. Procuremos a serenidade, vi ela passar por aqui há pouco. Procuremos, a serenidade deve estar em algum lugar!

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Local: Santa Maria, RS, Brazil

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

SEM A COBERTA

A pena, em frêmitos estertores, vaza

Ao controle da mão inútil.

Quantas vezes te vi, te re-vi, sem que eu, nem tu, tu mesma, nem outra ou outralteridade fosse.

Mas bendiga os ventos, ora sul, ora norte, ora frio, ora rosa.

E o botão feneceu.

E as folhas, os rios e as lágrimas secaram.

E fenecemos nós, também.

Como não, se tudo ao tempo obedece, se as cores, em sua aguda rutilância em opúsculo crespo, abrigam sobre si, o manto negro e perfurado da noite, por onde, entre as frestas, vemos as estrelas gotejar luz, que não nos banha, mas nos encanta.

Mauricio de Azevedo

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Grande poeta! Suspeitíssima vim eu falar aqui, depois de algum tempo; porque de início foram, o poema e mais, tão arrebatadores que me deixaram indefensável, volúvel diante do efeito mágico de sentir-se inteiramente ser-emoção. Estupenda a forma como tuas palavras constroem uma imagem perfeita, genuína, reveladora. Emudeci com teus versos. Chega à alma “sem a coberta”. Faz sentir-me tragicamente viva...uma das melhores sensações que se pode experimentar diante da poesia.
Namastê!!

quarta-feira, 15 março, 2006  

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