SEM A COBERTA
A pena, em frêmitos estertores, vaza
Ao controle da mão inútil.
Quantas vezes te vi, te re-vi, sem que eu, nem tu, tu mesma, nem outra ou outralteridade fosse.
Mas bendiga os ventos, ora sul, ora norte, ora frio, ora rosa.
E o botão feneceu.
E as folhas, os rios e as lágrimas secaram.
E fenecemos nós, também.
Como não, se tudo ao tempo obedece, se as cores, em sua aguda rutilância em opúsculo crespo, abrigam sobre si, o manto negro e perfurado da noite, por onde, entre as frestas, vemos as estrelas gotejar luz, que não nos banha, mas nos encanta.
Mauricio de Azevedo

1 Comments:
Grande poeta! Suspeitíssima vim eu falar aqui, depois de algum tempo; porque de início foram, o poema e mais, tão arrebatadores que me deixaram indefensável, volúvel diante do efeito mágico de sentir-se inteiramente ser-emoção. Estupenda a forma como tuas palavras constroem uma imagem perfeita, genuína, reveladora. Emudeci com teus versos. Chega à alma “sem a coberta”. Faz sentir-me tragicamente viva...uma das melhores sensações que se pode experimentar diante da poesia.
Namastê!!
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