O jardim da serenidade é o cemitério onde se está imóvel e enterrrado, nunca foi o inferno, muito menos o céu.
Vem comigo estranho. Vem e pega minha mão que os espíritos estão furiosos e assim não param até que amanheça.
Cuidado, cuidado com a maldita e insana idade, isso pode ser o fim! Adeus meu amigo novo. Novo que acabo de chegar em casa e nem saí.
1ª con-sentido
O sol impõe sua luz e seu calor, os homens inventam chapéus e pagam pela condição do ar. Vestem lentes escuras retas e seus olhos se abrem para a lua. Três homens outros expulsaram o santo, mas foram dominados pelo dragão cotejando maldade e fogo no peito e nos olhares falando enxofre e chumbo.
2ª depois
Depois cemitério é qualquer lugar onde tombamos nossos mortos, as praças, os jardins e as ratazanas fossilizadas. A condição incondicionada é o sol, nem bom, nem mal e não a liberdade que é a incondição de qualquer coisa, qualquer coisa condicionada. O sol é o sol e a liberdade não pode ser nada. Por isso o sol é mais que luz e calor, mais que massa e hélio é também escuro e um balão de fogo que quando enlouquece suga tudo até a luz que tu pensava ser tudo. Mas olho pela janela e o sol não é isso e a lua não é isso nem o dragão nem o santo é isso. Nada é nada e nada não pode ser isso. Isso é o que é e é só isso.
3ª segunda
Agora novo estranho caminhamos entre os mortos, pega minha mão e não me prega. No jardim ou existem oliveiras ou ciprestes para ser o cemitério. Depois sim, depois a cruz e depois cruzes mas aí é jardim e ninguém ali é sereno porque não há ninguém, uns partiram para o céu outros para o inferno, partiram que o corpo é inútil e só serve para queimar. A cruz que não é serena, nem o sol, nem o santo, nem a lua. O dragão é coerente de que a serenidade só interessa aos espíritos inserenos. Sereno. Ou é a oliveira ou o cipreste, qualquer um, mais o ar da noite.
4ª desperta
Se ergueram e remorrerão. Mas então não estavam no céu nem no inferno daí que o espírito é oco por fora e veste o corpo como uma roupa. O céu e o inferno não são jardins, que no céu e no inferno não estão ou as oliveiras ou os ciprestes, e não são serenos, que serenos só são ou as oliveiras ou os ciprestes, qualquer um deles, mais o ar da noite. Mas não podem ser serenos porque não são jardins, e são jardins só onde estão ou as oliveiras ou os ciprestes, que podem sim ser serenos, qualquer um deles, mais o ar da noite.
5ª qualquer?
No lugar da lua há um vazio e não um buraco que só pode ser onde o sol não não está. é sol estando também calor e luz e não vazio, porque o não-sol é um sim-buraco que engole luz. No vazio que era a lua ela não é, pois era, vazia de santo e vazia de dragão e os três homens que seguiram a estrela e expulsaram o santo foram tomados pelo dragão e mais a terra perto do sol e o vazio que estava lua. E na terra há jonas, na baleia e a baleia na terra e a terra no dragão e jonas na baleia e no dragão e a baleia na terra e no dragão e a terra no dragão e o dragão nos três homens mais o não-vazio lua e o não-buraco e a terra, a terra em apenas três homens e nesses três o dragão.
6ª passeia
Mas vem pequeno estranho, novo, vem e pega minha mão, pega minha mão porque é agora, é agora que o sinal insinua fechado, e atravessamos a rua, atravessamos a rua e vamos, atravessamos e vamos, vamos, vamos que o sol é logo ali e depois o cemitério.
Mauricio de Azevedo